a ausência do outro leva-nos bocados



Viver era  alegria e ferida aberta.
Muito cedo foi-lhe roubado um pedaço. Passou a ser, por definição, filha única; ela sentia-se apenas, filha incompleta.
Fez-se invisível - para si e para os outros - para que o confronto com a perda não fosse esmagador.
Existia suspensa num equilíbrio frágil, entre o peso silencioso do que faltava e o desejo de ser inteira.
Foram precisos anos, abraços, amores e olhares para que uma nova forma se desenhasse, menos incompleta.


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