desfrutar da liberdade de ser desimportante
O cheiro a musgo e a terra invadem tudo. Entranham-se. Os pássaros, atrevidos, interrompem o silêncio — e ninguém se importa. Nada perturba. Sem relógio, sem telefone, sem coordenadas, sem compromissos. Apenas as setas amarelas e os passos. Só isso. Naquele Caminho calcorreado por centenas de peregrinos, entre silêncios e olhares de aceitação, é-se só mais uma pessoa à procura de si própria — e isso é tudo. Longe, o seu mundo, a família, o trabalho e os amigos seguem naturalmente os dias, enquanto ela se despe da presunção de ser imprescindível. Nesses quilómetros de natureza, longe do comezinho quotidiano, sente a alegria serena de ser desimportante.