Consequência inevitável de você I Tom Jobim

Depois vieram os diários, as cartas. A facilidade de pôr emoções em palavras foi-me acompanhando, pontualmente apenas.
Havia o medo de não escrever nada interessante, o julgamento dos outros a calar-me antes de começar.
Um dia escrevi um poema e publiquei-o. Os comentários foram encorajadores, apesar disso fiquei muito tempo sem escrever.
A agenda preenchida, os dias a correr, afastaram-me do papel e de mim. Escrever era parar. Era deter-me nos detalhes, sentir e aceitar o sentir, imortalizá-lo e mostrar-me aos outros.
Foi numa conversa leve sobre escrever que o Miguel fez qualquer coisa simples e decisiva: retirou o julgamento dos outros. Propôs leveza, experimentação. E de repente havia um compromisso semanal que não pesava.
Continuo exigente — à procura de uma versão autêntica e estética. Isso não mudou. O que mudou foi que essa exigência é agora minha, não um medo.
Tatuar no papel o olhar, o sentir, os detalhes que me interpelam — tornou-se um prazer, uma constante.
Escrever, hoje, é uma consequência de ti.
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