Quem eras tu antes de seres aquilo que os outros precisavam?

Era livre.

Subia aos montes, descalça, trepava árvores, andava na minha bicicleta vermelha e ria.

Tinha o cabelo desgrenhado e os joelhos esfolados  nódoas negras, nódoas de fruta na roupa. Riscos de melancia das mãos aos cotovelos, a cara pintada de vermelho doce. Nada importava.

Depois houve tréguas no riso. 

Só silêncio — a vida suspensa, como se tivesse pendurado na porta: não incomodar.

Voltou mais tarde, no Quebra-Costas, no D. Dinis,  nas ruas e jardins de Coimbra, embrulhado em capa e batina.

Ali fui feliz, não para sempre, mas como quem come uvas directamente da cepa.

Desde então é intermitente, imprevisível e especial — e basta.

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