aprendi a viver no lugar exato onde doeu

Vivia ali, no lugar exato onde as dores aconteceram.  
Por escolha habitava o pouco - pouco conforto, pouco ter. Sempre preparado para tempestades que roubam a paz e desafiam a esperança.
Transformar(se) em condições adversas era um exercício que exigia coragem e pratica. 
Sabia que as folhas que caem formam o húmus que nutre as sementes. Sabia que, depois de nu pelos ventos, o terreno à sua volta era mais fértil e a vida mais possível.
Naquele lugar, todos os dias, acordava com a determinação de levar um sorriso e um abraço, a corpos marcados pelo esforço e pela saudade, naquele formigueiro incógnito.
Conhecia os nomes, abraçava cada um, como quem insufla oxigénio e devolve ânimo/vida.
Viver no lugar onde doeu, era uma escolha,  uma aprendizagem,  uma cura.

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