“O que permanece quando ninguém prometeu ficar “
Permanece um tempo desalinhado, entre o peito e o calendário.
Permanece o lamento do que não foi, uma saudade apressada.
Permanecem geografias de afetos, caminhos de cumplicidade.
Fica espaço, demasiado espaço.
Almofadas, desabitadas,
Uma escova,
Um livro esquecido.
Permanece a ausência de conflito, a lisura do fim.
Fica frio. Galhos que não fazem um ninho.
Permanecem verbos por dizer,
e o engano de que o silêncio basta.
Permanece o sal, em pirâmides brancas,
Permanece o cheiro a mar e a coentros,
O som dos pássaros, nas árvores.
O sol e a poesia,
Permanece o amarelo, resistente, das ginkgo bilobas.
Permanece a alegria da Luna em cada regresso.
Comentários
Enviar um comentário