quanto dura o agora?


Sentavam-se ali, naquele lugar cheio de sol e de passado. 
Não combinavam horas. Havia um entendimento, quase subliminar, o  agora era o tempo certo.
O mundo que as habitava, vinha das
Seleções Reader's Digest, das janelas, e das vidas que imaginavam a circular nos comboios que, em cadência, interrompiam o murmúrio do Tejo.
Agora, tinha o tamanho dos anos vividos.
Amores, filhos, fome, riso, trabalho, artroses, ler, comboios, ladeiras, conversas, luto, Tejo.
Agora durava o tempo em que sentadas naquelas cadeiras desfiavam histórias e tricotavam pegas e xailes, indiferentes aos relógios sem ponteiros.
Agora, durava o ontem e o amanhã ao mesmo tempo - era a vida inteira, ali, nas suas cadeiras.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

salvamento

costurar a sorte

contrastes