há conversas que também são o caminho
Quando as cartas ainda eram manuscritas, cada notícia, mensagem ou história chegavam devagar.
Passavam por várias mãos, viajavam quilómetros, demoravam dias, semanas ou meses, até encontrar o seu destino.
Chegavam pelas mãos do carteiro, essa figura icónica, com a sua mala de couro. Abria as fivelas num ritual que acentuava o valor do que guardava e retirava uma carta. Aquela que era tua.
Ver o carteiro aproximar-se já era alegria.
Depois, o envelope selado, com o teu nome escrito, em bonita caligrafia guardava uma conversa entre dois. Um espaço íntimo. Um compromisso de ler, sentir e guardar.
As palavras faziam todo um caminho antes de chegar a ti - como acontece nas conversas significativas.
Esse caminho feito de palavras, não se fazia com pressa. Era sedimentado pela espera, pelo cuidado, pelo desejo do encontro.
Entre quem escrevia e quem recebia existia essa distância cheia de esperança.
Havia todo um ritual — um caminho — entre o dizer e o saber em que cada detalhe era degustação pura.
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